Palestra apresenta percepção de moradores sobre Parque Nacional da Chapada Diamantina

Unidade de conservação afetou dinâmicas culturais e produtivas; conflitos foram amenizados após 30 anos de criação do parque

fotos Vinicius Morende

A percepção dos moradores do entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) sobre a unidade de conservação (UC) foi o tema de palestra realizada pela pós-doutoranda da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Chiara Bragagnolo, em Lençóis (BA), nesta terça-feira (16/06). A pesquisa realiza um comparativo entre três parques nacionais localizados no bioma caatinga: o do Catimbau (PE), o da Serra da Capivara (PI) e o PNCD (BA). Os parques nacionais são um dos tipos de UC’s que impõem mais restrições à ocupação humana e a criação destas unidades provoca dinâmicas que afetam as culturas dos habitantes.

A pesquisadora italiana apresentou os dados referentes a 249 questionários aplicados a moradores de sedes de municípios, povoados e comunidades do entorno do PNCD na forma de entrevistas. De acordo cocm Bragagnolo, é possível verificar diferenças nas formas como jovens e idosos reagem às atividades anteriormente cotidianas cujas normas de criação das UC’s passam a restringir, por exemplo. “Os mais velhos tendem a dizer que ainda é permitido (atividades como coletar frutas e lenha, cortar madeira, fazer pastoreio e manter roçados), enquanto os mais jovens defendem mais os valores de conservação da natureza”, afirma a pesquisadora.

Em 2015, o PNCD completa trinta anos de criação, fator que ameniza o conflito citado por Bragagnolo. As atividades de acompanhamento e sensibilização das equipes que administraram a UC da Chapada Diamantina nas três últimas décadas teriam contribuído para homogeneizar o entendimento das diferentes gerações a respeito das restrições ambientais e produtivas. No entanto, no caso do Parque Nacional do Catimbau, mais recente, o embate entre os mais velhos e os jovens pode ser interpretado como mais acirrado.

A palestra foi realizada no Campus Avançado da Universidade de Feira de Santana (UEFS) na Chapada Diamantina, em Lençóis. A próxima etapa da pesquisa de Bragagnolo, financiada com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), será a aplicação dos questionários na região do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, a mais antiga das UC’s analisadas.

Texto e foto: Vinicius Morende

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